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12 abril 2011


Todos elogiam a primavera e esperam ansiosamente por ela,
pois pensam que as flores surgem nessa época do ano.
na realidade, as flores surgem no inverno, ainda clandestinamente,
e se manifestam na primavera a escasses hídrica , o frio e a baixa luminosidade
do inverno castigam as plantas, levando-as a produzir metabolicamente
as flores que desabrocharão na primavera. as flores contêm as sementes,
e as sementes nada mais são que uma tentativa de continuação
do ciclo da vida das plantas, diante das intempéries que atravessam no inverno.
O caos do inverno é responsável pela beleza das flores na primavera.

Obs: quantas vezes você já passou por grandes intempéries na sua vida?
mas depois de você ter passado...você ficou mais forte por dentro
surgiu em você algo muito belo e misterioso que você não conhecia.
surgiu em você uma belíssima flor que brilhou na primavera.

11 abril 2011

TRANSFORMAÇÃO PELO FOGO

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo, o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo do que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.



Texto de Rubem Alves

TEMPO DE RECOMEÇAR

Todo dia é um novo desafio a vencer. Desafios que, aos olhos de muitos, podem parecer tão simples e, para outros, tão complexos e insuperáveis.

Cada desafio nos ajuda a valorizar a nossa condição de humanos...
Aceitar que temos direito a errar, aprender e superar - sem deixar que a luta diária se torne uma prisão.

Dinheiro não é tudo na vida e nem tudo tem preço.

É preciso resgatar a família e, de verdade, dedicar o tempo de que precisam nossos filhos, irmãos, esposas, maridos, mães, pais, avós...

Resgatar a verdadeira amizade, essa que não morre nunca, porque não tem compromisso nem laços e surge livre e espontânea, sem pedir nem exigir nada.

Resgatar a confiança das pessoas.
Acreditar na palavra...
Cultivar e propagar a honestidade.

Exigir o que é justo, fazer valer os seus direitos e respeitar os direitos dos outros.

Nunca foi tão necessário voltar a acreditar...

E não é só falar:
É preciso assumir o compromisso pessoal de espalhar na sociedade um vírus e ver se, duma vez por todas, conseguimos uma mudança real para o Brasil que deixaremos aos nossos filhos e netos. Sabemos que o tempo é curto. Então é tempo de começar.

06 abril 2011

Olhos de Liz








Acordo com uma melancolia difusa, uma pequena nota dissonante reverberando no peito. Como se uma das cordas da minha guitarra estivesse um pouco desafinada. Olhando-me no espelho momentos antes de lavar o rosto, descubro duas ruguinhas que não estavam ali ontem. Enquanto espremo o tubo da pasta de dente, numa tentativa quase inútil de encontar alguma pasta dentro daquele tubinho tantas vezes espremido e reespremido, distingo uma sombra inusitada no meu próprio olhar. Na pia jazem alguns fios de cabelo branco. Já na mesa do café, enumero mentalmente as razões que poderiam estar me causando aquela sutil melancolia matinal:

1- A anulação pelo STF da validade da Lei da Ficha Limpa nas eleições do ano passado. Hum. Por que razão, excelsas excelências? Não, não precisam explicar. Eu só queria entender. Sinceramente, admito minha insensibilidade, não me dou mais ao trabalho de compreender as obscuras razões por trás das intrincadas decisões de nossos ministros, políticos e governantes.

2- Os níveis de radiação nuclear no Japão continuam preocupantes. Mas eu já sabia disso ontem e, admito minha insensibilidade, não estou tão preocupado com os problemas dos japoneses.

3- As inevitáveis mortes de civis acarretadas por esses duvidosos ataques aéreos “cirúrgicos” à Líbia. Sim, são lamentáveis mas, admito minha insensibilidade novamente, não estou mobilizado com essa questão, ou com qualquer outra. Estou me tornando um insensível, é verdade.

Mas ao abrir o jornal, lá estava a foto. Compreendi de repente o motivo da minha pequena depressão matinal (e a razão das notas desafinadas que continuavam soando no meu cérebro). Eles me fitavam translúcidos, como duas pérolas a indicar que a vida é um sonho muito fugaz e passageiro porém infinitamente belo. E trágico.

Os olhos de Liz Taylor ainda conseguem me sensibilizar.

Por Tony Bellotto

Recomeçar - Carlos Drummond de Andrade