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31 março 2010

O azul e o castanho



( Marcos Assumpção)

Muito tempo já passou
Mas teu azul não esqueci
Muito vento então soprou
Pra tocar a vida aqui
Tocar a vida sem você
Feito pescador sem mar
Feito poeta que não lê
Vendo o mundo desabar
Ainda guardo na lembrança
Teu diário de espiral
Nossas brincadeiras de criança
E os presentes de Natal
Meu mundo agora é estrada
Teu personagem é imortal
Ainda lembro a gargalhada
Tua dança e nosso quintal
Outro azul chegou pra mim
E eu achei que era você
Mas num sonho me disse no fim
Que o novo azul era pra crescer
À minha sombra e ao teu gesto
Teu amor representado ali
Tua dança é o puro manifesto
De quem nunca saiu daqui
Depois de outros ventos
Gaivota então voltou
Riscou o céu com alentos
Do castanho que gerou
À mesma sombra e ao mesmo amor
Que um dia conheci
Já não sinto a mesma dor
Choro pelas lembranças que vivi
O quintal e o azul piscina
Hoje já não posso alcançar
Mas do infinito me ensina
ao novo azul e ao castanho embalar
Muito tempo já passou
Muito vento já soprou
Muito amor em mim ficou
Muito amor em mim brotou

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